Wednesday, February 18, 2009

o que digo

O QUE DIGO

não vou contar
que sofro de gases
e tiro caquinha do nariz
escondido (ou nem tanto)
e que as vezes me divirto
soltando pum
e deixando todos constrangidos

que as vezes saio sem cueca por baixo
minto nos meus poemas
e finjo ser melhor amante
e mais romântico
e apaixonado
do que verdadeiramente sou

nem mesmo insinuo
o quão cretino me sinto
em alguns dias
quando percebo
o quão idiota é o mundo
e acho isso divertido

nunca contarei
das minhas loucuras ridículas
paranóias insanas
de minha mente fertil
nem dos deuses que invento
a cada manhã
lendo o jornal

ignorarei
que o leite fica mais caro a cada dia
e não existem mais
os leiteiros de drummond
e a caxinha longa vida
é feia de tão ascética

não direi a verdade
que não sei amar direito
que a paixão é a minha doença
e minha mente nunca fica
muito tempo nos mesmos pensamentos
e eu estou sempre olhando distante

nem escreverei
o quanto sou tosco
em meus pensamentos
que não dou muita bola
pra regras sociais de convivio
e as vezes
tenho vontade de mandar
tomar no cu
uma porrada de gente

em minha poesia

mostrarei somente
o que percebo
do mundo

impressões

a única verdade
objetiva

(Pedro Tostes)

10 comments:

O atelïer said...

inspirado meu querido, muito bonito o poema, viver é duro, com alguma poesia vale a pena, parabéns,Romulex

Susanna said...

Verdadeiro demais! E sensível como pele de avó....

Parabéns Pedro!

Beatriz said...

Pedro, que bonito!
quanta autenticidade.
um abraço
Beatriz

Raimundo said...

Olá!
Gostaria de convidá-los para uma atividade do Movimento Cultural de Guaianases - uma Roda de Conversa sobre Literatura na Periferia.
Qual o contato de vcs?
Abraço!
Raimundo - rj.pj@ig.com.br

Anonymous said...

Deu saudade... mas uma vez poeta, sempre poeta, mesmo aos olhos do onipresente google rsrs
Adorei !!
Aninha

Laah said...

autêntico!

coffee-break said...

o leiteiro de drummond padeceu com a aurora... levando consigo toda uma geração...

mas não devemos chorar pelo leite derramado, não é mesmo? mesmo que causado por tiro injusto...

bonito poema!

BêbÉT/Ocica's said...

ripa na muringa.
o infeliz sente-se livre.

nos becos do poema.

Fernando said...

Muito verdadeiro!
Me identifiquei mto!

Dani R. said...

palmas.