Tuesday, January 20, 2009

CONTRACOOPTADOS ?

A democracia é um conjunto de alternativas pré-fabricadas, em que se tem apenas o direito da escolha de se dizer sim ou não. A ditadura ainda resiste. O capitalismo nos punge a ser consumistas - querendo ou não. Nossa liberdade se limita ao “livre” poder do consumo, seja ele feito em um balcão de bar, num shopping na região da Faria Lima ou no Campo Limpo. É difícil aceitar que nos postemos insólitos numa liberdade transviada para o individual, onde o conforto do individuo está acima de tudo, e quando este se incomoda - rompendo com a barreira do comodismo e surgindo com bases da contracultura em seu discurso -, logo é engolido pelo “sistemão”. Esse processo de incorporação implica que o sujeito acabe não somente dentro do sistema como também trabalhe a favor daquilo que até então lutava contra, - remodelando suas bases.

A sociedade vive uma época de jovens acomodados. A geração de pais da década de 80 e 90 preocupada em manter-se empregada, delegou a eduação de seus filhos para o sistema tecnocrata que os criou para viverem numa sociedade onde não impõem e nem merecem respeito. Criaram pequenos deuses do consumo e do prazer imediato.

A geração da contracultura de 1968 no Brasil, em maioria foi de pessoas da classe média, e essa mesma turma teve filhos e os criou em colégios particulares que tinham como proposta de educação a pedagogia libertária, a fim de dar aos filhos mais liberdade de escolha. “O resultado foi transformar a adolescência, não no começo da vida adulta, mas num estado por direito próprio: um limbo que nada representa senão o prolongamento de uma infância já por si só permissiva”1”. Não quero dizer que a pedagogia libertária foi ruim para esses filhos, pois, uma boa parte são agora artistas empenhados em levar adiante um estilo de contracultura que não agride mais como o da geração de seus pais.

A contracultura foi um movimento de ruptura ou foi apenas um movimento de arte engajada?

O fato é que a prática da contracultura hoje, ou seja, ir contra a cultura dominante, está cada vez mais difícil. As tentativas, como o movimento punk, o grafite, a poesia, são rápidamente cooptadas pelo mainestrean – dentre esses exemplos resiste ainda o pixo que encontra-se marginalizado, e que é, uma das poucas formas de contracultura atuais, pois sua prática está em protestar através de uma grafia agrassiva, onde a idéia principal é destruir para construir de novo, mostrando a sociedade que há seres marginalizados, seja pela sua condição social ou geográfica, uma vez sendo a maioria dos pixadores das periferias da cidade.

O movimento punk foi em parte cooptado pelo sistema capitalista, mas ainda vejo que pequenos grupos tem que aproveitar do sistema para algumas de suas manifestações, vacilando assim ao demonstrarem que falta organização para o alcance de alguns de seus ideais, um exemplo são anarco-punks que apesar da tendência a viver em comunas acabam recorrendo ao sistema capitalista para a sobrevivência. Esta adesão destes grupos anarquistas ao sistema imposto, demosntra que a contracultura hoje não é possivel pois ele esta em tudo, e os gurpos são obrigados de alguma maneira a dialogar com ele.

Estamos vivenciando um período histórico de aglomerados de informações e de reaproveitamento de ideias. Obter uma arte de ruptura, se é que isso é possível, passa por sabermos utilizar o passado a nosso favor, e para isso teremos que saber usar de fato a antropofagia para que ela possa realmente nos unir e não afastar-nos uns dos outros. Assim como a “contracultura” vem sendo levada, acredito que ela tornou-se um movimento disciplinado, e deixou de ser.

Continua...


1 Roszak. Theodore. “A contracultura: os filhos da tecnocracia”. Ed. Vozes ,1976, pág. 42.

por Berimba de Jesus
http://www.berimbadejesus.blogspot.com/

2 comments:

quem? said...

e a 'contracultura' continua!

[viva!]

Robson said...

Magneto/ todo grudadinho parece manter a linha de baixo /e esta ponta do ó lembra um boné de menino norte americano/ o e quer ser c /enquanto o s senta em posição oriental/ b aberto empunha pistola infantil/ i pequeno l/ com um pingão pensar com tipo não é mesmo fácil/ insisto e gosto de todas estas bolinhas pretas espalhadas aleatoriamente pela página como pingos balões posso adotar este magnetismo para o meu texto e justificar para ver se cabe.