Wednesday, September 26, 2007

Récita C.A.I-MAL / D.E.Z - convidados

Daniel Minchoni

todos os dias
encontro a poesia
pela metade
na avenida brasil

todos os dias,
este confronto

todos os dias,
esta partida

todos os dias,
tenho que ir trabalhar

aos sábados, domingos e feriados
ela não me incomoda


entorpecentes

dos vagabundos aos homensde
terno
todos agarram
essa solidão macia na rota de suas
quedas

Ana Rüsche

pura enrolação

eu me fecho tu se abre pra fazer eu me abrir pra se fechar
tu me flecha numa fresta num piscar pra fazer eu me abrir pra se fechar
tu me testa e me confessa eu me fecho pra abrir vc ao meio pra vc depois fechar
vc se fecha me confessa pra tentar me abrir ao meio e me testa eu nao deixo e te confesso que eu te
testo eu me queixo que é pra vc caprichar
eu me fecho eu me pixo faço um chiste pra vc me lambuzar
e te lambuzo de mim mesmo cai o queixo pra vc vir se aprumar
eu me deixo nesse eixo e me perco deste modo abre fecha me acomodo nesse ciclo sem cessar



Ivan Antunes


CRISTÃO*

Amor é a mordida de um cachorro pitbull que levou a coxa da Laurinha e a bochecha do Felipe. Amor que não larga, na raça. Amor que pesa uma tonelada. Amor que deixa, como todo grande amor, a sua marca.

Amor é o tiro que deram no peito do filho da dona Madalena. E o peito do menino ficou parecendo uma flor. Até a policia chegar e levar tudo embora. Demorou. Amor que mata. Amor que não tem pena.

Amor é você esconder a arma em um buquê de rosas. E oferecer ao primeiro que aparecer. De carro importado. De vidro fumê. Nada de beijo. Amor é dar um tiro no ente querido se ele tentar correr.

Amor é o bife acebolado que a minha mulher fez pra aquele pentelho comer. Filhinho de papai, lá no cativeiro. Por mim, ele morria seco. Mas sabe como é. Coração de mãe não gosta de ver ninguém sofrer.

Amor é o que passa na televisão. Bomba no Iraque. Discussão de reconstrução. Pois é. Só o amor constrói. Edifícios. Condomínios fechados. E bancos. O amor invade. O amor é também o nosso plano de ocupação.

Amor que liberta, meu irmão. Amor que desce o morro. Amor que toma a praça. Amor que, de repente, nos assalta. Sem explicação. Amor salvador. Cristo mesmo quem nos ensinou. Se não houver sangue, meu filho, não é amor.


Marcelino Freire

*Texto publicado na Revista Não Funciona 10

2 comments:

celo said...

muito bons os convidados,
gostaria muito de ir, vai ser massa,
pena que eu more um pouco longe..
[]s
marcelo

Byra Dorneles said...

Muito bom
vou falar esse do Daniel no Mola!]
Ok?
abs
Byra Dorneles
www.myspace.com/freakoutmuzik
www.byradornelles.blogspot.com
(21) 9931 7749