
Monday, April 13, 2009
Monday, April 06, 2009
Artistas e mendigos
por Heyk Pimenta
Faz um tempo que ouvi o Giovani Baffo dizendo que para o Quintana “poetas não leem poesia, mas as pequenas notas do jornal”, achei que era um levante à canonização e à erudização da arte e não liguei tanto para o que ele estava dizendo, me soou bem mais como um “não leio poesia, escrevo o que eu sinto”. Na segunda vez que ele me disse isso foi quando tínhamos um hóspede em nossa casa que estava comprando alguns jornais por dia, atrás de casa, de trabalho, de carros, aí foi que entendi a história das notas de jornal e fiquei um pouco preocupado.
Nessa semana em resposta a perguntas sobre a importância dos coletivos de arte da contemporaneidade, o Victor Meira me disse que nós os artistas, nos unimos bem mais para nos expormos, para nos divulgarmos do que para que haja algum tipo de convergência estética. Fiquei preocupado de novo e respondi com alguma dureza que tinha ficado decepcionado, não com ele, mas conosco, porque tinha visto um punhado de verdade ali que não estava precisando para terminar a semana.
Hoje me voltaram essas afirmações quando estava lavando um tênis que ganhei do Joannes Jesus, tinha ficado pequeno para ele, foi o tio dele quem deu. Pensei que o Bruno Cordeiro deu um tênis para o Guila, outro para o Giovani, acabo de ganhar dele também um fogão, o nosso aqui em casa, é da proprietária do apartamento e só tem duas bocas. Lembrei que a gente está sempre trocando. Trocando camisas, violões, livros. Dificilmente em forma de troca, mas de presente, que acaba voltando depois em forma de outra coisa, ou no prazer mesmo de ir agradar o amigo, ou por ver que o amigo já passou dias melhores e por aí vai.
Aí fui ver que é fato. Estamos à beira das pequenas notas de jornal, sempre. E é aí que está a convergência: muito mais do que esteticoartística, é uma convergência de grupo comum, a tal da solidariedade de sociedades tradicionais, a tal da mãozinha dos maçons. Precisamos uns dos outros mais do que artisticamente, estamos muito próximos das margens, nos diferenciamos dos moradores de rua pela quantidade bem menor de estrelas que nosso teto tem.
O que nos une é a precariedade, novamente. Por sermos precários fazemos livretos, shows, encontros e almoços juntos. Não conseguiríamos sozinhos. Claro que entre um escambo e outro rola um samba, uma poema, uma ideia fantástica para dominar o mundo, o nascimento de uma marca. Mas isso é por estar perto. É um movimento de mão dupla: o Guila Sarmento me disse que se aproximou de mim por reconhecer nos nossos poemas a mesma língua, a mesma urgência. Que hoje também é urgência por abrigo, por amigo, por confabular, dar sequência junto às coisas que pensamos primeiro sozinhos, enfim ser coletivo.
Há pouco tempo o Sergio Cohn disse: se ficarmos ricos e cada um for trabalhar de um lugar os nossos projetos coletivos, falimos, porque as ideias temos é juntos. Sei que é complicado assumir, mas parece que com outros propósitos vim afirmar novamente um bordão dos anos 1960/70: que o nosso tchan, nosso brilho é o precário.
Faz um tempo que ouvi o Giovani Baffo dizendo que para o Quintana “poetas não leem poesia, mas as pequenas notas do jornal”, achei que era um levante à canonização e à erudização da arte e não liguei tanto para o que ele estava dizendo, me soou bem mais como um “não leio poesia, escrevo o que eu sinto”. Na segunda vez que ele me disse isso foi quando tínhamos um hóspede em nossa casa que estava comprando alguns jornais por dia, atrás de casa, de trabalho, de carros, aí foi que entendi a história das notas de jornal e fiquei um pouco preocupado.
Nessa semana em resposta a perguntas sobre a importância dos coletivos de arte da contemporaneidade, o Victor Meira me disse que nós os artistas, nos unimos bem mais para nos expormos, para nos divulgarmos do que para que haja algum tipo de convergência estética. Fiquei preocupado de novo e respondi com alguma dureza que tinha ficado decepcionado, não com ele, mas conosco, porque tinha visto um punhado de verdade ali que não estava precisando para terminar a semana.
Hoje me voltaram essas afirmações quando estava lavando um tênis que ganhei do Joannes Jesus, tinha ficado pequeno para ele, foi o tio dele quem deu. Pensei que o Bruno Cordeiro deu um tênis para o Guila, outro para o Giovani, acabo de ganhar dele também um fogão, o nosso aqui em casa, é da proprietária do apartamento e só tem duas bocas. Lembrei que a gente está sempre trocando. Trocando camisas, violões, livros. Dificilmente em forma de troca, mas de presente, que acaba voltando depois em forma de outra coisa, ou no prazer mesmo de ir agradar o amigo, ou por ver que o amigo já passou dias melhores e por aí vai.
Aí fui ver que é fato. Estamos à beira das pequenas notas de jornal, sempre. E é aí que está a convergência: muito mais do que esteticoartística, é uma convergência de grupo comum, a tal da solidariedade de sociedades tradicionais, a tal da mãozinha dos maçons. Precisamos uns dos outros mais do que artisticamente, estamos muito próximos das margens, nos diferenciamos dos moradores de rua pela quantidade bem menor de estrelas que nosso teto tem.
O que nos une é a precariedade, novamente. Por sermos precários fazemos livretos, shows, encontros e almoços juntos. Não conseguiríamos sozinhos. Claro que entre um escambo e outro rola um samba, uma poema, uma ideia fantástica para dominar o mundo, o nascimento de uma marca. Mas isso é por estar perto. É um movimento de mão dupla: o Guila Sarmento me disse que se aproximou de mim por reconhecer nos nossos poemas a mesma língua, a mesma urgência. Que hoje também é urgência por abrigo, por amigo, por confabular, dar sequência junto às coisas que pensamos primeiro sozinhos, enfim ser coletivo.
Há pouco tempo o Sergio Cohn disse: se ficarmos ricos e cada um for trabalhar de um lugar os nossos projetos coletivos, falimos, porque as ideias temos é juntos. Sei que é complicado assumir, mas parece que com outros propósitos vim afirmar novamente um bordão dos anos 1960/70: que o nosso tchan, nosso brilho é o precário.
Friday, April 03, 2009
Exposição Jerry Batista
Jerry BatistaNos conhecemos desde criança, crescemos no mesmo bairro, e foi bem em frente da sua casa que vi aquela bandeira da Jamaica com uma mão em primeiro plano escrita nos anéis “AFRO”, O primeiro grupo que Jerry Batista fez parte. Era o último a pegar na lata de spray, os outros integrantes tinham receio de que ele estragasse a pintura. Na mesma época, alguns quarteirões abaixo surgia também outro grupo, chamado “NIGGAZ”. Os grupos se juntaram e fizeram alguns graffitis pelo bairro, promoveram o primeiro encontro de graffiti do Grajaú, no qual comecei a pintar.
Não demorou muito e os grupos se desmembraram, apenas dois resistiram. Alexandre assumiu a assinatura NIGGAZ e AFRO deixou de existir quando JERRY passou assinar seu próprio nome.
No início tínhamos um sonho, imaginávamos ter um espaço agradável para produzir nossa arte, não precisava muito, mas queríamos vender algumas pinturas e disso viver. Muita garra, isso não faltou. Enfrentamos tempestades em alto-mar.
Passada uma década, estamos em terra firme, começando a viver o que sonhamos no passado, ganhando maturidade, conhecendo pessoas que acreditam no que acreditamos... Acreditam na arte construída com muito Amor e assim permitem que a evolução pessoal e profissional aumente de ritmo a cada dia.
Hoje, Jerry Batista com a exposição “1% da arte” inaugura parte do que sonhamos, A Casa Nilo 132, um espaço coletivo e aberto para pessoas que querem ver arte com simplicidade e pureza.
Sejam bem vindos.
ENIVO - 03/03/2009
Friday, March 27, 2009
Sopa de Letrinhas

28/03 (excepcionalmente no último sábado de março)
21:30 no Villaggio Café
Poeta homenageado: Berimba de Jesus
POESIAS de:
Vlado Lima/Mônia MartinsCarlos Savasini/Aline RomarizRose Dórea/Lu SouzaTyta/Cezar VenezianniBittar/Mavot Sirc/Vitória PaternaSimone Teixeira/Solange MazzetoRolan Crespo/Lúcia Helena CorrêaWalter Zanatta/Paulinho das Frases Renata Regina/Binho Santos
Sopa é um evento aberto.É só chegar, botar o nome na lista e declamar.
MÚSICA com:
Tom SoaresBanda MandauFrancisco FreitasMarcio de Camillo
DISTRIBUIÇÃO DE BRINDES PARA AS MELHORES LEITURAS DA NOITE
SOPA NA FAIXA DEPOIS DA MEIA-NOITE
ENTRADA: R$ 5,00
VILLAGGIO CAFÉ
RUA TEODORO SAMPAIO 1229
Wednesday, March 25, 2009
OCO
Grupo de Dança Minik Momdó abre seu processo de criação do espetáculo OCOCom direção de Maria Momensohn, o grupo de dança Minik Momdó apresenta nos dias 2 e 3 de abril, quinta e sexta-feira, o ensaio aberto de OCO, novo espetáculo instalação do grupo. O evento acontece no Teatro de Dança em duas sessões por dia: das 19 às 20 horas e das 21 às 22 horas, com entrada franca.
No ensaio aberto, que integra o projeto Casa Aberta do Teatro de Dança – Edição 2009 – o público entrará em contato com o processo de criação do espetáculo, contemplado pelo 4° Edital do fomento à Dança da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.
O grupo Minik Momdó é composto por artistas de diversas linguagens e tem uma longa trajetória de ocupação poética de espaços não convencionais por meio de instalações performáticas que têm como foco principal a dança.
OCO – Espetáculo-Instalação
A pesquisa parte do vazio, do espaço entre, das lacunas por onde fluem sons, corpos e luzes.
O movimento é tratado como confluência, às vezes solidamente presente, às vezes, perceptível apenas como um reflexo, uma lembrança. A sensação é a de ser atravessado por fluxos que ligam o dentro e o fora. A relação do corpo com a luz é um processo de desvelamento do espaço limite entre o interior e o exterior, criando sombras, sobreposições e sensações que geram um campo poético.
Saturday, March 21, 2009
Sincera...
Sincera,
mente
tanto e tão descarada
que ninguém diz que
seja deveras fraude o
que, de fato,
hábil
serena
carinhosa
“dizquemediz”
distrai
inventa
dá forma à lábia
nas artemanha
nus triquetrique
dus meandro
dus trocadilho
das sorte e revés
de cada ladainha
que deschava aos 4 ventos
sem deslizes
precisando
põe a mão no fogo
passa perfume
se ajeita
pinta os beiço
as unha
corta cabelo
abre sorriso
usa vestido de flôr
te enreda
te envolve
te enrosca
te prende
formosa
delicada
quase singela
mais perigosa
que fera
te fisga
te convence
te bota crente
te jura
te quebra
de pé junto
de dedo cruzado
leva no bico, na ideia, no papo
rola um lero, esbanja xaveco,
não economiza saliva, destila veneno,
mete o nome de tudo quanto é santo
só vendo...
um K.O dos inferno!
Proseia sem pressa
num trava a língua
num dá um milimetro de brecha
num gagueja, cochixa, num pisca,
nus zóio tem inté faísca
te come
te engole
te suga
te chupa
te gospe
promete que não esquece
que compra cigarro, que te ama, e que já volta
bandida
sacana
safada
solerte
ENXIRIDA !
infame
impune
impávida
solene
eu bem que queria
PAGAVA prá ser diferente
chorava, rezava,
implorava, sonhava, sofria
fiz despacho
foi desfeito
criatura sem remédio
sem remendo
INFELIZ
bem que queria
ver atentidas
as preces para minha alegria
recorri a promessa
ajoelhei na escadaria
clamei a são jorge, santo expedito,
santa luzia
fora os budas, orixás,
caboclos, alienigenas, guias, ave maria
bebi cachaça, puxei fumo,
estiquei farinha
decorei mantras, treinei tantras
sutras, mudras e nada
mas bem que eu queria
PAGAVA pra ser indiferente
por mais que quisesse
meu dinheiro desse, PIS/PASEP/ih..FGTS!
a verdade verdadeira
é que SINCERA,
perversa
maliciosa
desvairada
insolente
tirando chinfra de honesta...
descabida
MENTE.
mente
tanto e tão descarada
que ninguém diz que
seja deveras fraude o
que, de fato,
hábil
serena
carinhosa
“dizquemediz”
distrai
inventa
dá forma à lábia
nas artemanha
nus triquetrique
dus meandro
dus trocadilho
das sorte e revés
de cada ladainha
que deschava aos 4 ventos
sem deslizes
precisando
põe a mão no fogo
passa perfume
se ajeita
pinta os beiço
as unha
corta cabelo
abre sorriso
usa vestido de flôr
te enreda
te envolve
te enrosca
te prende
formosa
delicada
quase singela
mais perigosa
que fera
te fisga
te convence
te bota crente
te jura
te quebra
de pé junto
de dedo cruzado
leva no bico, na ideia, no papo
rola um lero, esbanja xaveco,
não economiza saliva, destila veneno,
mete o nome de tudo quanto é santo
só vendo...
um K.O dos inferno!
Proseia sem pressa
num trava a língua
num dá um milimetro de brecha
num gagueja, cochixa, num pisca,
nus zóio tem inté faísca
te come
te engole
te suga
te chupa
te gospe
promete que não esquece
que compra cigarro, que te ama, e que já volta
bandida
sacana
safada
solerte
ENXIRIDA !
infame
impune
impávida
solene
eu bem que queria
PAGAVA prá ser diferente
chorava, rezava,
implorava, sonhava, sofria
fiz despacho
foi desfeito
criatura sem remédio
sem remendo
INFELIZ
bem que queria
ver atentidas
as preces para minha alegria
recorri a promessa
ajoelhei na escadaria
clamei a são jorge, santo expedito,
santa luzia
fora os budas, orixás,
caboclos, alienigenas, guias, ave maria
bebi cachaça, puxei fumo,
estiquei farinha
decorei mantras, treinei tantras
sutras, mudras e nada
mas bem que eu queria
PAGAVA pra ser indiferente
por mais que quisesse
meu dinheiro desse, PIS/PASEP/ih..FGTS!
a verdade verdadeira
é que SINCERA,
perversa
maliciosa
desvairada
insolente
tirando chinfra de honesta...
descabida
MENTE.
paloma kliss e mariana nunes
Wednesday, March 18, 2009
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